Há gestos que não são sobre o que parecem ser.
São sobre o que não pôde ser dito.
Arrancar plantas, espalhar a terra, desorganizar o jardim.
Arrancar plantas, espalhar a terra, desorganizar o jardim.
À primeira vista, destruição.
À escuta simbólica, desespero.
Terra, planta e o jardineiro.
A terra que gera, sustenta — e também enterra.
A planta arrancada como quem grita: “tirem minha filha de lá.”
Quando a morte atravessa o que é insuportável, o corpo fala.
A mão arranca aquilo que ainda cresce porque, internamente, nada mais pode florescer.
E o jardineiro?
Aquele que deveria cuidar.
Que deveria proteger o tempo do crescimento, o limite, o risco.
Que jardineiro é esse que lança a semente e abandona?
Que semeia, mas não permanece?
Que permite que algo tão frágil seja deixado à própria sorte?
Nem todo gesto é violência.
Alguns são luto bruto.
Outros, denúncia silenciosa da ausência de cuidado.
Às vezes, o jardim não foi destruído.
Ele apenas revelou o que já estava morto antes.
Excelente!!!
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